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Juventude a serviço da administração
Com 27 anos, o biomédico Marcello Delascio Cusatis é o gerente de
Apoio Técnico do Hospital do Campo Limpo

 

m biomédico jovem, que trabalhou apenas dois meses em bancada e depois passou a atuar na área de administração até tornar-se o gerente de Apoio Técnico de um dos maiores hospitais públicos de São Paulo, o Hospital Municipal do Campo Limpo. Este é Marcello Delascio Cusatis, que assumiu o cargo recém-criado em 1º de agosto de 2003, quando tinha 26 anos (atualmente tem 27). “A gerência cuida de várias áreas com coordenadores que são todos mais velhos que eu. No início, eles estranharam. Mas nunca tive problema com outros profissionais”, garante o biomédico.
O Hospital do Campo Limpo, com nove andares, é o segundo maior da prefeitura (o primeiro é o do Tatuapé) e considerado de nível terciário, ou seja, reservado a procedimentos de mais alta complexidade. “Dos hospitais municipais, é o que mais faz exames de ultra-som”, exemplifica Cusatis. Sua função é garantir apoio diagnóstico e terapêutico para a clínica médica e a clínica cirúrgica. A gerência cuida das seguintes áreas: Banco de Leite, Banco de Sangue, Centro de Imagens, Endoscopia, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gasoterapia, Laboratório, Métodos Gráficos, Psicologia, Serviço Social e SND (Serviço de Nutrição e Dietética).
Um exército – Além disso, Cusatis é responsável pelos serviços que são terceirizados e analisar os novos procedimentos em conjunto com os médicos, na área conhecida como SADT – Serviço de Apoio Diagnóstico

e Terapêutico. O biomédico também organiza licitações e faz a qualificação técnica dos editais. Tudo referente ao hospital e aos cinco pronto-socorros ligados a ele, espalhados pela parte mais carente da Região Sul da Capital. Para atender a todas essas áreas, o gerente comanda um exército de 200 profissionais, mais de 40 deles no laboratório. Cusatis ainda faz parte da Comissão Interna de Captação de Órgãos.
O biomédico viveu um dia especial em 6 de agosto, ao realizar a primeira licitação aberta, diretamente com os prestadores de serviço de uma autarquia municipal. O processo foi acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município e abrangeu serviços de laboratório.

População carente é atendida
O Hospital Municipal do Campo Limpo é referência para uma população de quase dois milhões de habitantes, na área mais carente e violenta de São Paulo, atendendo bairros como Jardim Ângela e Capão Redondo. Isso traz dificuldades extras para o gerente de Apoio Técnico. “O hospital trabalha no limite e as máquinas estão com utilização plena”, conta Marcello Delascio Cusatis.
Por atuar em total capacidade operacional, o equipamento acaba quebrando e muitas vezes é necessário transferir os pacientes para o Hospital Municipal do Jabaquara. “Em todas as estatísticas, o número de atendimentos tem crescido”, constata o biomédico.

Prioridades – É justamente este é o trabalho do administrador. “O orçamento é fixo, não dá para atender a todas as demandas”, explica Cusatis. “Por isso é necessário conversar com os médicos, definindo prioridades, para evitar ou adiar o que não é urgência.” Na farmácia, por exemplo, o biomédico teve de conversar com os médicos para padronizar os medicamentos e evitar a falta deles. Afinal, são 340 receitas por dia e seria impossível atender a toda a demanda se cada médico receitasse um medicamento diferente.
Como há áreas terceirizadas, todos os meses há uma auditoria nos serviços, realizada por funcionários do hospital. Elas são comandadas pelos coordenadores de área, já que todos eles são funcionários do Campo Limpo.

 

"A formação como biomédico foi fundamental para trabalhar na área, associada ao conhecimento técnico de administração que obtive na pós-graduação."


Marcello Delascio Cusatis

Área dominou a carreira
Marcello Delascio Cusatis formou-se em Biomedicina pela Universidade de Mogi das Cruzes em 2000. Trabalhou dois meses em bancada e, em seguida, passou no concurso para residência médica em Administração Hospitalar do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Foram dois anos de aprendizado na área, com bolsa de estudos para o período integral. À noite, Cusatis fazia o curso de pós-graduação em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde, na Fundação Getúlio Vargas.

Gerenciamento – Em 2002, quando estava terminando a residência, foi convidado por uma empresa de planos de saúde para trabalhar na área de gerenciamento, realizando o credenciamento de novos procedimentos e cuidando dos contratos com hospitais e laboratórios, entre outras atividades. Em seguida, passou a trabalhar

em outro convênio, cuidando de contas médicas e auditoria, até agosto de 2003, quando foi convidado para ser o gerente de Apoio Técnico do Hospital Municipal do Campo Limpo, cargo que acabara de ser criado e que exigia pós-graduação em administração hospitalar.
“A formação como biomédico foi fundamental para trabalhar na área, associada ao conhecimento técnico de administração que obtive na pós-graduação”, explica Cusatis. “Mas é importante gostar da área, porque você fica longe da bancada”, adverte. Cusatis é freqüentemente convidado para dar aulas e palestras sobre contas médicas, terceirização e auditoria de serviços em saúde. O biomédico já falou sobre o assunto no Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no curso pré-MBA Ibmec e no curso de Administração para Enfermagem da Fundação ABC, entre outros.

 

 

OS NÚMEROS DO HOSPITAL

Por mês são realizados aproximadamente:
• 50 mil exames laboratoriais
• 12 mil raios-X
• 2 mil exames de ultra-som
• mamografias
• 700 tomografias
• 460 endoscopias
• 26 mil atendimentos no Pronto-Socorro
• 370 partos

Orçamento anual: R$ 84 milhões

"Minha função é garantir apoio diagnóstico e terapêutico para a clínica médica e a clínica cirúrgica
do hospital."


Marcello Delascio Cusatis